Tuesday, July 05, 2005

Inofensiva como uma lagartixa.
Capaz de cair derrubada no primeiro sopro.
Estômago seco, boca seca, pele seca, pressão baixa, pele queimada pelo meu próprio cigarro, mancha roxa, maquiagem definitiva.
E bile. Muita bile. Devo, inclusive, estar transpirando bile.

Ah, minhas ressacas nunca mudam mesmo. São um grande clichê.


***

and we're all dead yeah we're all dead
inside the future of a shattered past
i lie just to be real, and i'd die just to feel
why do the same old things keep on happening?
because beyond my hopes there are no feelings
(Smashing Pumpkins)

Proximidade de aniversário é sempre um período patético, porque você tenta enxergar o que mudou na sua vida; onde você melhorou, onde você piorou, quem se afastou e quem se aproximou. E eu lembro de uma conversa que tive exatamente no dia 05 de julho de 2004, uma conversa que parecia tão certa pro meu coração, tão definitiva, tão séria. E, desde então, nunca mais tive de novo aquele estado de espírito tomado pela esperança, o platonismo aguçado, o sangue correndo mais e mais rápido dependendo da música escolhida, do verso escolhido. Não, nunca mais. Letras e melodias não fazem mais tanto sentido. Míope, eu ando míope. Me enfiando no primeiro subterfúgio que aparece. Ouvindo os hormônios sem que eles precisem gritar - eles só sussurram e eu atendo, submissa. Um ano, 365 dias em que fiz coisas que a maior parte das pessoas passam a vida inteira só imaginando. Coisas ótimas que eu aconselho que todo mundo faça antes de morrer. Mas, de qualquer forma, foi um ano sem paixão. Um ano em que não esperei nada, em que andei pegando todo tipo de atalho possível, sem olhar seta, sem olhar placa, sem pedir informação.

Mas sigo andando.

1 Comments:

Blogger Fernando Padrão said...

Bebendo demais!!

5:47 PM  

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